6 de abril de 2017

DISCOS DE VINIL # 26

ELTON JOHN – GOODBYE YELLOW BRICK ROAD (1973)


O sétimo álbum de estúdio de Reginald Kenneth Dwight foi a peça fundamental para que Elton John (nome artístico de Reg) entrasse de vez para a história da música do planeta. Goodbye Yellow Brick Road é uma obra-prima, não só por demonstrar que Elton estava no auge da forma como músico e cantor (o mesmo pode-se dizer de seus companheiros de banda), como também pelas letras inspiradíssimas de seu parceiro, Bernie Taupin. Um detalhe interessante: Taupin escreveu as 21 letras do disco – que chegou a receber os títulos provisórios de Vodka and Tonics e Silent Movies, Talking Pictures – em menos de TRÊS SEMANAS, repetindo: em menos de TRÊS SEMANAS! Boa parte das canções foi finalizada por Sir Elton em, aproximadamente, TRÊS DIAS! Nada mal para um dos álbuns duplos mais vendidos da história da música...




Elton John já era famoso pelos surtos e exigências que fariam qualquer diva ruborizar de vergonha naquela época. Quis gravar seu disco na Jamaica apenas pelo simples fato de que os Rolling Stones tinham gravado Goats Head Soup na terra de Bob Marley. Quando as dificuldades começaram a surgir em janeiro de 1973, no início das gravações do disco, Elton e a trupe se mudaram de mala e cuia para o belo Château d'Hérouville, na França, onde os álbuns Honky Château e Don't Shoot Me I'm Only the Piano Player foram gravados no ano anterior. Das terras jamaicanas, ficou apenas a ideia da canção “Jamaica Jerk-Off”, sétima faixa de Goodbye Yellow Brick Road. Assim que os trabalhos se reiniciaram no Château, as sessões de gravação duraram apenas DUAS SEMANAS! Só Frank Sinatra teria feito mais rápido do que isso...


Elton & Bernie

As letras de Bernie Taupin se utilizavam de imagens cinematográficas – a mais famosa delas, a estrada de tijolos amarelos, vem do clássico The Wizard of Oz (1939) – para tratar do conflito que assombrava a ele e a Elton na época: a fama, esta permanente roda da fortuna com a qual nenhum dos dois sabia lidar. Marilyn Monroe, por exemplo, foi incrivelmente eternizada na belíssima “Candle in the Wind”. “I’ve Seen That Movie Too” retrata uma relação amorosa conflituosa a partir dos bons e velhos clichês cinematográficos. “Goodbye Yellow Brick Road”, a faixa-título, fala sobre os conflitos internos de ser uma celebridade em um universo frívolo e sufocante. Além disso, a capacidade incrível de Bernie em criar personagens deu a esta coleção de 18 canções um aspecto literário raramente visto na história da música popular em língua inglesa: a trágica Alice, uma jovem lésbica de destino trágico, a lendária Bennie vestindo suas “electric boots” e um “mohair suit” à frente de um grupo de um rock extraordinário, um pub inglês que ferve com as típicas brigas causadas pelo excesso de álcool nos embalos de sábados à noite, a profissional do amor encantadora de jovens mancebos em “Sweet Painted Lady" e um cowboy fictício de vida tão breve quanto James Dean cuja saga foi narrada em “The Ballad of Danny Bailey (1909-34)”. Eis uma galeria fascinante de tipos humanos eternizados em versos e sons.






Acima de tudo, Goodbye Yellow Brick Road é um álbum melancólico. Não possui tintas dramáticas das primas-donnas, mas é nostálgico. A abertura do disco, o espetacular medley “Funeral for a Friend / Love Lies Bleeding”, de 11 minutos, é até hoje um dos melhores números musicais já vistos em cima de um palco. Elton mistura Liberace com Rock ‘n’ Roll, glam com Little Richard com técnica, lirismo e emoção. No entanto, ele não conseguiu esta proeza sozinho: Gus Dudgeon (que produziu vários de seus trabalhos) foi o segundo capitão desta nau pelo caminho de tijolos amarelos. Davey Johnstone, Dee Murray e Nigel Olsson foram muito mais do que o trio composto por guitarra-baixo-bateria: fizeram backing vocals e nos ofertaram o melhor de sua forma para que este disco se tornasse um clássico. Dentre os músicos convidados, está Kiki Dee (que fez muito sucesso ao lado do mesmo Elton em 1976 com “Don’t Go Breaking My Heart”) e o maestro Del Newman, que escreveu e conduziu arranjos de orquestra extraordinários para canções como “Harmony”, “The Ballad of Danny Bailey”, “Roy Rodgers” e “I’ve Seen That Movie Too”.


Dee Murray, Nigel Olsson, Davey Johnstone, Elton John


            Goodbye Yellow Brick Road vendeu cerca de 31 milhões de cópias no mundo inteiro. Isto se deve não apenas aos clássicos do disco – “Candle in the Wind”, “Bennie & The Jets”, “Saturday Night’s Alright for Fighting” e a faixa-título não podem faltar em nenhum show de Elton John! –, mas também aos lados B que compõem o disco: “Sweet Painted Lady”, “Harmony” (que chegou a ser o ultimo single do álbum, mas foi ofuscada pelo lançamento de Caribou, o oitavo álbum do artista), “I’ve Seen That Movie Too”, “Roy Rogers”, “All the Girls Love Alice”, “Your Sister Can't Twist (But She Can Rock 'n Roll)” e “ The Ballad of Danny Bailey (1909–34)”. Não é à toa que este disco é considerado como o preferido de muitos fãs de Elton...



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